Skip navigation

“Na biblioteca Sainte-Geneviève, consultei um dicionário e soube que os axolotes são formas larvais, providas de brânquias, de uma espécie de batráquios do gênero amblistoma. Que eram mexicanos, já o sabia por eles mesmos, por seus pequenos rostos rosados astecas e o cartaz no alto do aquário. Li que foram encontrados exemplares na África, capazes de viver em terra durante os períodos de seca, e que continuam sua vida na água ao chegar a estação das chuvas. Encontrei seu nome espanhol, ajolote, a menção de que são comestíveis e que seu azeite se usava (diria que não se usa mais) como o de fígado de bacalhau.”

“Os olhos de ouro continuavam ardendo com sua doce, terrível luz; continuavam me olhando de uma profundidade insondável, que me dava vertigem.”

Trechos de “Axolote”,  um conto de Julio Cortázar.

separador

Em “Axolote”, o protagonista do conto é tomado de fascínio por uma criaturinha exótica, a qual ele contempla com furor. Nela, reconhece-se a si próprio.  Nela, inevitavelmente transmuta-se. Uma simbiose maravilhosa.

Esta contemplação fantástica também me fascina. De maneira semelhante ao protagonista do conto, eu também sou tomado de fascínio por aquilo que é exótico, no qual, inevitavelmente, acabo por me reconhecer, a ponto de achar, de verdade, que somos ambos nós um só. Uma unidade perfeita.

16.12.1990

16.12.1990

Embora não deixe de ser também Rodrigo Andrade Paes…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: